Dentista de Cuiabá é alvo de operação da PF que investiga desvio de R$ 40 milhões do Conselho de Odontologia
17/09/2026
(Foto: Reprodução) Dentista de Cuiabá é alvo da Operação Apolônia, que investiga desvio de R$ 40 milhões.
Reprodução
Um dentista identificado como Luiz Evaristo Ricci Volpato está entre os alvos de uma operação da Polícia Federal, em Cuiabá, nesta quinta-feira (17), que investiga suspeitas de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo cerca de R$ 40 milhões do Conselho Federal de Odontologia (CFO). A ação também foi realizada em São Paulo.
Ao g1, a defesa de Luiz Evaristo, informou que cliente está tranquilo e vai prestar os devidos esclarecimentos à Justiça.
“Ele está tranquilo. A partir da hora que ele for chamado para responder judicialmente ele vai responder, ele não tem nada a esconder, não se beneficiou de nada, já deixamos isso claro em outra ação popular. Houve um golpe e ele estava cumprindo o trabalho dele como representante do estado de Mato Grosso no CFO e infelizmente foi passado para trás”, disse a reportagem.
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De acordo com o advogado, o procedimento anterior foi arquivado e a ação foi considerada “inepta e de cunho político”, promovida por outro membro da classe. O advogado esclareceu ainda que Luiz Evaristo não atua mais no Conselho.
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Já o Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT) informou que em abril de 2025 encaminhou ao CFO ofício para apuração e adoção de medidas cabíveis sobre supostas irregularidades no âmbito do sistema do Conselho
“Reiteramos a importância de que eventuais irregularidades sejam investigadas com rigor, dentro dos trâmites legais e regimentais, garantindo a ética e a credibilidade da categoria odontológica. Diante da situação exposta, aguardamos, com a devida brevidade, a apresentação de devolutiva ágil, acompanhada das medidas resolutivas cabíveis e dos esclarecimentos necessários”, diz trecho da nota.
A Operação Apolônia investiga se houve irregularidades no envio desse dinheiro para uma empresa privada que cuidava dos investimentos do conselho. Segundo a investigação, a empresa não tinha autorização do Banco Central nem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para trabalhar com investimentos.
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nos dois estados. As ordens foram autorizadas pela Justiça Federal do Distrito Federal.
Durante as buscas, os policiais apreenderam cerca de R$ 300 mil em dinheiro e veículos. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 57 milhões em contas e bens dos investigados, entre eles ex-dirigentes do CFO e empresários.
A investigação encontrou ainda movimentações de dinheiro consideradas suspeitas, como transferências entre empresas e pessoas ligadas aos investigados e envio de dinheiro para outros países.
Em nota, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) informou que os supostos desvio e lavagem de dinheiro envolvendo recursos do conselho e investimentos foram feitos por uma gestão anterior.
Segundo o CFO, a gestão responsável pelos fatos investigados já havia sido afastada pela Justiça Federal devido a irregularidades na destinação dos recursos.
O atual presidente do CFO, Jairo Santos Oliveira, assumiu o cargo em 28 de janeiro de 2026, por decisão da Justiça Federal. A entidade informou que, desde então, tem colaborado com a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF) para esclarecer os fatos e buscar a devolução dos valores aos cofres públicos.
Ainda segundo o conselho, três ex-dirigentes já foram condenados pelo TCU a devolver mais de R$ 50 milhões aos cofres da entidade. O CFO informou também que, em 26 de agosto de 2026, a atual gestão reprovou as contas do conselho referentes ao período em que os investimentos investigados eram registrados.
Por fim, o conselho afirmou que acompanha o caso e está à disposição da Polícia Federal, do MPF e do TCU para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações.